quarta-feira, 29 de julho de 2009

Bibliotecas Digitais

Além dos inúmeros textos integrais oferecidos pela Open Library (um projeto do Google), agora pesquisadores dos quatro cantos do mundo podem também acessar uma série de documentos raros (inclusive mapas) disponíveis na recém lançada Biblioteca Digital Mundial, um projeto audacioso da UNESCO que pretende continuar a digitar e disponibilizar materiais que, normalmente, seriam difíceis de acessar.

Alguns exemplos dos documentos inseridos na BDM incluem o mapa Le cours de la riviére des Amazones dressé sur la relation (1680) do francês Nicolas Sanson; cartas escritas por Cristóvão Colombo sobre suas descobertas; o códice mexicano Huexotzinco de 1531; e um dos primeiros manuscritos impressos na América Latina chamado Pragmatica sobre los diez dias del año produzido por Antônio Ricardo em 1584 a pedido do Rei Felipe II da Espanha quem decreta a mudança do do calendário juliano para o gregoriano.

Vale lembrar que além da Open Library e da BDM, existem também outras bibliotecas digitais que oferecem uma infinidade de textos como, por exemplo, o Projeto Gutenberg e a Open Collections Program: Expeditions & Discoveries da Harvard University.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Curso sobre Arqueologia e História Inca no MAE - USP

Para aqueles que se interessarem, seguem os detalhes sobre o curso Arqueologia e História Inca: uma aproximação multidisciplinar a ser ministrado no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. A duração do curso é de 11 a 27 de agosto. Espero vê-los por lá!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Filme sobre explorador britânico Percy Fawcett

Para aqueles que (como eu) consideram fascinante a vida regada de aventuras de exploradores como Hiram Bingham (redescobriu Machu Picchu em 1911) ou Gene Savoy (na década de 60 redescobriu Vilcabamba - um dos últimos refúgios dos Incas na Amazônia peruana após a chegada dos espanhóis em 1532), em breve deverá ser lançado nos cinemas o filme The Lost City of Z, baseado na vida de Percy Fawcett.

O filme contará a história do explorador britânico que se embrenhou na selva amazônica em busca de uma cidade perdida que Fawcett chamou de Z. Em 1906, depois de se formar como pesquisador (surveyor) pela Royal Geographical Society de Londres, Fawcett foi contratado pelo Brasil, Bolívia e Peru para mapear a o interior da Amazônia. Essas viagens despertaram no explorador o interesse pelos povos que floresceram ali séculos antes. Por quase duas décadas Fawcett organizou diversas expedições na tentativa de encontrar a cidade perdida de Z que ele acreditava estar localizada na região entre o Brasil e a Bolívia, próxima ao Estado brasileiro de Mato Grosso.

Em 1925, depois de várias expedições, Fawcett se perdeu na floresta e nunca mais foi encontrado. Seu destino é até hoje um mistério. O filme - dirigido por James Gray e com Brad Pitt no papel de Fawcett - ainda não tem data de estréia. Aguardemos.

(Ao lado, mapa do itinerário de Fawcett).

sexta-feira, 6 de março de 2009

Culinária Andina

A revista Vida Simples publicou uma pequena matéria na qual colaborei sobre culinária andina. Fica a dica para aqueles que gostam de descobrir sabores diferentes. Aproveito a oportunidade para fazer alguns breves comentários sobre a cozinha andina que é tão pouco conhecida no Brasil.

Ao contrário do que se possa pensar a culinária andina contemporânea deve-se não somente aos incas, mas também às culturas pré-incaicas que se desenvolveram na região. Afinal, a domesticação de várias plantas como o feijão e a batata, por exemplo, data de épocas muito anteriores a presença inca na área andina.

Diria que uma das principais características da culinária andina atual é justamente a fusão de ingredientes indígenas (batata, feijão, milho, pimenta, quinoa etc.) e aqueles trazidos pelos espanhóis a partir do século XVI (arroz, frango, carne bovina, queijos). Vale lembrar, entretanto, que não foram apenas os espanhóis que contribuíram com ingredientes que hoje são parte fundamental dessa cozinha. Africanos, chineses e japoneses também deixaram a sua marca.

Além das influências da música negra na música andina, a presença dos então escravos levados à região andina pelos espanhóis pode ser observada em pratos como o anticucho, feito de miúdos de boi. Os chineses por sua vez contribuíram com ingredientes como o molho de soja e o gengibre. O Lomo saltado pode ser considerado como um prato representativo dessa fusão entre as culinárias chinesa e andina.

A lista de alimentos presentes na culinária andina contemporânea é obviamente longa, no entanto, valeria citar um pouco mais sobre aqueles ingredientes que têm uma presença mais marcante.

Naturalmente, é preciso mencionar a papel da batata que é um tubérculo originário do atual Peru e uma das maiores contribuições dos povos pré-colombianos andinos à culinária mundial. A quantidade de pratos que levam papas dos mais variados tipos é numerosa: papas a la huancaína (batatas cozidas cobertas por um molho a base de aji amarelo e queijo), ou então a popular papa rellena (batata recheada) que pode ser apreciada nas inúmeras barraquinhas de comida do Peru e da Bolívia.

A pimenta do tipo ají é outro ingrediente fundamental presente em diversos pratos peruanos e tem sua história enraizada nas sociedades pré-colombianas. Esse tipo específico de pimenta era utilizado pelos incas como um de meio de troca (ou dinheiro, se preferir) entre as camadas mais populares do império incaico. Atualmente, o ají é parte essencial de um dos pratos mais famosos do Peru, o ceviche.

O frango por sua vez foi um ingrediente introduzido pelos espanhóis, mas que foi muito bem assimilado pela culinária andina. O ají com galina por exemplo é um dos pratos mais típicos do Peru atualmente e representa bem a fusão entre elementos nativos e estrangeiros.

Para quem se interessar mais sobre o assunto, seguem algumas sugestões abaixo. Apesar de não serem obras especificamente sobre a culinária andina, aos dois livros tratam sobre a contribuição da América indígena para a culinária global.

The Cambridge World History of Food (capítulo: The History and Culture of Food and Drink in the Americas).

Fernadez-Armesto, F. Food: a History. Macmillan, 2001.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

V Colóquio de Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos da Universidade de São Paulo

Acontece durante os dias 29 e 30 de outubro o Colóquio História e Arqueologia da América Indígena. Em sua quinta edição este encontro internacional reunirá pesquisadores brasileiros, italianos, mexicanos e peruanos provenientes da arqueologia, história, literatura, etnologia entre outras áreas.

O evento também contará com a participação de quatro convidados especiais – Gerardo Lara Cisneros da Universidad Autónoma de Tamaulipas, México; Auxiliomar Silva Ugarte da Universidade Federal do Amazonas; Sérgio Medeiros da Universidade Federal de Santa Catarina e Rubén Morante López da Universidad Veracruzana, México.

O colóquio é organizado pelo Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos da Universidade de São Paulo e acontecerá no departamento de História da mesma universidade.

Para mais informações a respeito do colóquio visite a página oficial do CEMA – USP.

sábado, 29 de março de 2008

É Tudo Verdade

O 13 Festival Internacional de Documentários está a todo vapor em São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Brasília, Recife e Caxias. O festival, também conhecido como É Tudo Verdade, é uma ótima oportunidade para assistir documentários sobre e da América Latina. Vale a pena ficar de olho nas sessões do Foco Latino-Americano.

Um dos destaques - dentro da seção Retrospectiva do Documentário Experimental Brasileiro - é Conversas no Maranhão (1977) de Andrea Tonacci. Neste documentário o diretor explora o processo de demarcação de terras em área indígnena Canela Apâniekra.

E o melhor: as sessões são de graça e acontecem em diversos cinemas nas cidades mencionadas acima.

sexta-feira, 21 de março de 2008

As várias cores da América Latina

Saiu hoje no site na BBC Brasil uma notícia bastante interessante relativa às origens genéticas de nós, latinomaericanos. Apesar de ser um fato bem conhecido que a grande maioria de nós descende de uma mistura de indígenas, africanos e europeus, muito pouco ainda se sabe sobre como isso realmente ocorreu.


Segundo um artigo publicado na revista acadêmica Public Library of Science Genetics de autoria de Andres Luiz-Linares da University College London (Inglaterra), os colonizadores europeus não somente se apossaram das terras e propriedades dos nativos, mas como também se apoderaram de suas mulheres e, quando possível, aniquilaram os homens nativos.

Luiz-Linares chama ainda a atenção para a importância da pesquisa em reconhecer de forma mais enfática a presença nativa na população atual.

Clique aqui para ler a notícia em inglês.