sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Celebrando a Diversidade Cultural

Para inaugurar a seção de vídeos do Khipukamayoq, nada melhor do que começar com uma fascinante palestra de Wade Davis sobre diversidade cultural indígena. Wades, Explorer-in-Residence da National Geographic, argumenta que além de preservarmos a biosfera, deveríamos também nos preocupar com a preservação da ‘ethnosfera’ que, segundo ele, seria the sum total of all thoughts and dreams, myths, ideas, inspirations, intuitions brought into being by the human imagination. Wades enfatiza ainda a questão do desaparecimento das línguas indígenas e, conseqüentemente, de modos diferentes de ser e pensar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Foie Gras Inca?


Várias eram as formas em que os incas faziam sacrifícios aos seus deuses. Sacrifícios de lhamas ou cuyes (porquinho da Índia), por exemplo, eram freqüentes em toda a área andina. Entretanto, um dos mais famosos sacrifício de Tahuantinsuyu (nome quechua do império inca) era o chamado capac ocha ou sacrifício humano.

Pouco se sabe a respeito dessa prática cerimonial tão importante para os incas. No entanto, textos escritos durante o início do século XVII nos oferecem algumas informações a respeito. Por exemplo, o manuscrito Nueva Corónica y Buen Gobierno (c. 1613: 247-249) de Felipe Guaman Poma de Ayala nos informa que todos os anos no mês de junho ocorria um grande festival de celebração do sol onde se sacrificavam quinhentas crianças:

Este mes hazían la moderada fiesta del Ynti Raymi [festa do sol] y se gastaua mucho en ello y sacrificauan al sol. Y enterraua al sacrificio llamado capac ocha que enterrauan a los niños ynosentes quinientos y mucho oro y plata y mullo [concha moída].

Não se sabe se realmente um número tão grande de crianças eram oferecidas ao sol. Entretanto, através de pesquisas arqueológicas realizadas na área andina, sabe-se que, de fato, os incas sacrificavam algumas delas. Um famoso exemplo é a múmia La Doncella, colocada pelos incas há 500 anos no topo da montanha Llullaillaco (6739 metros de altitude) entre o Chile e a Argentina. La Doncella foi encontrada em 1999 e atualmente está em exibição no museu arqueológico de Salta, Argentina.

Recentemente, através da análise de amostras de DNA retiradas dos fios de cabelo de La Doncella e de um menino de sete anos sacrificado no mesmo local, Andrew Wilson (University of Bradford, Inglaterra), pôde constatar que os incas literalmente engordavam as crianças escolhidas para serem sacrificadas.

De acordo com o artigo Stable Isotope and DNA Evidence for Ritual Sequences in Inca Child Sacrifice publicado recentemente no Proceedings of the National Academy of Sciences, cerca de um ano antes de serem oferecidas aos deuses, crianças camponesas – cuja dieta era baseada principalmente no consumo de batatas – passavam a receber uma carga bem maior de proteína (charqui de lhama) e milho do que anteriormente.

Enquanto alguns pesquisadores enfatizam que a prática de sacrifícios de crianças era deveras imperialista e servia para facilitar o controle de áreas remotas do império, outros acreditam que o capac cocha é melhor compreendido dentro do contexto da qual ele pertencia, ou seja, incaico.

Leia mais no The Guardian e no International Herald Tribune